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Reposição Hormonal

Muito tem se falado últimamente a respeito da reposição hormonal masculina. Nos homens durante o processo de envelhecimento, ocorre uma lenta e gradual queda da produção de testosterona principalmente da sua fração livre. Essa deficiência androgênica, ao contrário do que ocorre com a mulher é moderada e, ás vezes, ausente. Não deve, portanto, ser chamada de andropausa. O termo é considerado inapropriado porque é baseado em alterações que ocorrem na mulher cujo ciclo reprodutivo possui um fim determinado pela falência ovariana, enquanto no homem o processo não é universal.

Portanto, andropausa denota alterações hormonais globais associadas com o envelhecimento masculino. O mais apropriado, segundo alguns pesquizadores, seria chamar de deficiência androgênica fisiológica parcial do homem idoso ( padam em inglês ). A testosterona diminui nos homens sadios, lenta e gradualmente, principalmente às custas da sua fração livre. A diminuição parece ser acelerada quando surge alguma doença. A taxa de declínio varia de 1 a 2 % / ano para a fração livre e de 0,4 % / ano para a fração total.

Homens jovens têm um ritmo circadiano normal de ambas as testosteronas e esse ritmo é marcadamente atenuado no homem idoso. Isso ocorre devido ao aumento de 1,2 % por ano da globulina transportadora de esteróides (shbg) que está ligada a 60 % da testosterona circulante. O efeito biólogico dos andrógenos se faz por ação direta nos músculos através do seu metabólito ativo a diidrotestosterona (dht) formada localmente na pele, genitais externos e próstata, por meio da aromatização da t em estradiol (que atua nos ossos e no cérebro). Somente 20 % de dht são secretados pelos testículos. Os 80 % restantes originam-se da conversão periférica em orgão alvos. A testosterona é produzida pelas células de leydig (céls. Testiculares).

Numerosas alterações anatômicas ocorrem com os testículos nos homens idosos: tamanho, pêso e número de céls de leydig diminuem, etc. Outras alterações relacionadas com o eixo hipotâlamo-hipofisário-testicular iram determinar o que é clínicamente conhecido como hipogonadismo. O que se observa com o aumento da expectativa de vida do homem, é que à utilização de hormônios vem crescemdo rapidamente. Todavia, a maior dificuldade para reposição da testosterona é a falta de parâmetros biológicos que permitam avaliar ou não a sua eficácia.

A reposição androgênica está indicada quando clinicamente ficar constatado o hipogonadismo ou na presença de alterações nos exames laboratoriais. Isso é confirmado bioquimicamente após a realização de, pelo menos, duas dosagens matinais da testosterona total e livre. O hipogonadismo pode ser caracterizado clinicamente pelas seguintes alterações: diminuição da força e massa ósseo-muscular, regressão dos caracteres sexuais secundários (pêlos, voz, etc), aumento da gordura abdominal, diminuição da libido e do senso geral de bem-estar. A testosterona pode ser administrada via oral (comprimidos), tópica (gel e adesivos escrotais e não-escrotais), intramuscular (injeções) e subcutânea (implantes).

A dose adequada varia de acordo com a via de administração e a resposta clínica. Deve ser adaptada e acompanhada pelos resultados dos exames de sangue. Os efeitos colaterias relacionados com a administração de testosterona são: aumento do hematócrito (número de células vermelhas do sangue), ginecomastia (gordura na mama masculina), retenção de água (inchação das pernas, etc) e apnéia do sono.

Entre as contra-indicações absolutas esta o câncer de próstata, de mama e o tumor de hipófise (glândula que fica na base do cérebro). O paciente idoso que está fazendo uso de testosterona deve ser submetido à avaliação semestral através da dosagem do psa (exame de sangue), exame digital da próstata (toque retal), hematócrito (contagem das células do sangue) e perfil lipidico. Psa elevado (> 4,0 ng/ml), hematócrito alto (> 51%), duas alterações consecutivas no psa total (> 0,75 ng/ml) ou um aumento isolado (de 2,0 ng/ml) em qualquer tempo se constituem em critérios para a imediata interrupção da reposição hormonal. Muitas dúvidas e questões ainda precisam ser esclarecidas.

Diante dos conhecimentos atuais, suplementação androgênica (reposição de testosterona) no idoso, somente deve ser considerada, na presença de níveis séricos (testosterona baixa no sangue) de andrógenos abaixo do limite normal para homens jovens, associada com sinais e sintomas inequívocos de deficiência androgênica, na ausência de outras causas reversíveis e/ou transitórias de diminuição dos níveis de andrógenos e após avaliação das contra-indicações.

Nota: Este texto tem a finalidade apenas de informar e, como quase tudo em Medicina, não é unânime no seu conteúdo, refletindo apenas a opinião pessoal do médico que o assina. Embora embasado em informações atuais mais nem por isso definitivas, não deve ser entendido como a única verdade e em caso de dúvidas sugerimos consultar pessoalmente seu Urologista.


Dr. Eduardo Lopes
Médico Urologista
CRM 8152
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia
eduardolopes@sbu-ba.org.br

HPV ou papovavirus ou condiloma

O QUE É HPV?
É um vírus transmitido pelo contato sexual que afeta a área genital e mucosa oral tanto de homens como de mulheres. O HPV é uma família de vírus com mais de 80 tipos. Enquanto alguns deles causam apenas verrugas comuns no corpo, outros infectam a região genital, podendo ocasionar lesões que, se não tratadas, transformam-se em câncer de colo uterino e câncer de pênis. Uma das características desse vírus é que ele pode ficar instalado no corpo por muito tempo sem se manifestar, entrando em ação, em determinadas situações como na gravidez ou numa fase de estresse, quando as defesas do organismo estão debilitadas.

Na maior parte das vezes a infecção pelo HPV não apresenta sintomas. O homem pode queixar-se de ardência no pênis, apresentar uma inflamação constante do prepúcio e glande (balanopostite) ou aparecer com lesões verrucosas. Estas são mais freqüentes no prepúcio e glande (fotos 01, 02, 03 e 04), podendo, entretanto, estas verrugas aparecerem na região perianal, virilha ou região suprapúbica.

A mulher tanto pode sentir uma leve coceira, Ter dor durante a relação sexual ou notar um corrimento. O mais comum é ela não perceber qualquer alteração em seu corpo. Geralmente, esta infecção não resulta em câncer, mais está comprovado que 99% das mulheres que têm câncer do colo uterino, são portadoras e foram antes infectadas por este vírus. Logo, existe uma importante associação de alguns sub-tipos do vírus com a etiologia do câncer de colo que inclui a multiplicidade de parceiros, falta de cuidados higiênicos e de assistência médica.

No Brasil, cerca de 7.000 mulheres morrem anualmente por esse tipo de tumor. Em seus estágios iniciais as doenças causadas pelo HPV podem ser tratadas com sucesso em cerca de 90% dos casos, impedindo que o/a paciente tenha maiores complicações no futuro. Portanto, a melhor arma contra o HPV é a prevenção e se fazer o diagnóstico o quanto antes.

COMO DEVO ME PREVENIR?
Como em qualquer doença transmitida pelo sexo, é preciso que se tomem alguns cuidados como:

  • Manter cuidados higiênicos;
  • Ter parceiro fixo ou reduzir o número de parceiros;
  • Usar preservativos em todas as relações sexuais;
  • Visitar regularmente seu urologista/ginecologista para fazer todos os exames de prevenção
  • Ficar atento a esses sintomas: coceira, corrimento, sangramento anormal, principalmente fora da menstruação, dor durante a relação sexual ;
  • Fumar, beber em excesso ou usar drogas afeta o sistema de defesa do organismo fazendo com que o HPV atinja o homem ou a mulher com maior facilidade;
  • Procure saber mais sobre o HPV e o câncer de colo uterino e compartilhe todas essas informações com o sua(seu) parceira(o) e amigos.Assim será mais fácil se prevenir.
  • É importante que o(a) parceira(o) procure um médico para verificar se ela(e) está com o vírus;
  • Você não está sozinho(a)! A maioria das pessoas com vida sexual ativa pode está infectada com algum dos tipos de HPV.

COMO POSSO SABER SE TENHO HPV?
Este vírus pode ser detectado através dos seguintes exames:

Genitoscopia
Exame realizado no homem utilizando o colposcópio ginecológico como auxílio óptico, ácido acético e azul de toluidina para pesquisar áreas suspeitas infectadas pelo HPV. É o primeiro exame que deve ser realizado para investigação do HPV no homem.

Papanicolau
É o exame preventivo mais comum na mulher. Ele não detecta o vírus, mas sim, as alterações que ele pode causar nas células.

Colposcopia
Exame feito por um aparelho chamado colposcópio, que aumenta o poder de visão do médico, permitindo identificar as lesões.

Biopsia
É a retirada de um pedaço de tecido para análise.

Captura híbrida
É o exame mais moderno para fazer o diagnóstico do HPV. A Captura Híbrida consegue diagnosticar a presença do vírus mesmo antes da paciente ter qualquer sintomas.

Aqueles pacientes que tiveram um resultado positivo na genitoscopia, em um papanicolau alterado ou aqueles que, a critério médico sejam de alto risco para o HPV, devem ser submetidos à Hibridização Molecular.

COMO É O TRATAMENTO PARA O HPV?
O tratamento depende de diversos fatores como:

  • A idade do paciente
  • O local e o número de lesões;
  • Se a mulher está grávida ou apresenta alguma doença ginecológica

Não se esqueça que mesmo após o tratamento é aconselhável o acompanhamento. Seu médico é a pessoa mais indicada para lhe dar todas as orientações. Converse com ele.

QUAIS SÃO AS FORMAS PARA TRATAR O HPV?
Existem várias formas de tratar. A maioria delas destruirá o tecido doente e pode ser feito por:

Criocirugia
Tratamento feito com um instrumento que congela e destrói o tecido anormal.

Laser
Utilizado em alguns tipos de cirurgia para cortar ou destruir o tecido onde estão as lesões.

CAF
Feito com um instrumento elétrico remove e cauteriza a lesão.

ATA(Ácido tricloro-acético)
É um ácido aplicado pelo médico diretamente nas lesões.

Conização
Um pedaço de tecido em forma de cone é retirado com auxílio do bisturi, do Laser ou do CAF.

Medicamentos
Em algumas situações pode-se utilizar medicamentos que melhoram o sistema de defesa do organismo.


Nota: Este texto tem a finalidade apenas de informar e, como quase tudo em Medicina, não é unânime no seu conteúdo, refletindo apenas a opinião pessoal do médico que o assina. Embora embasado em informações atuais mais nem por isso definitivas, não deve ser entendido como a única verdade e em caso de dúvidas sugerimos consultar pessoalmente seu Urologista.

Dr. Jesuíno Flores
Médico Urologista
CRM 10767
jesuino@sbu-ba.org.br
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia

Exame periódico de próstata

A próstata é uma glândula encontrada apenas no homem e que fica localizada entre a bexiga e o pênis (fig. 01). Por dentro dela passa o canal uretral que tem a função de eliminar urina e sêmen para o meio externo. Pesa em torno de 20 a 25 gramas na vida adulta e tem a função de produzir a secreção prostática, liquido composto por nutrientes responsáveis pela manutenção e transporte dos espermatozóides.

Após os 40 anos de idade, a próstata começa a crescer em decorrência das alterações hormonais (dentre outros fatores) que se iniciam no processo de envelhecimento. Este crescimento pode determinar uma obstrução parcial ou total da uretra (fig. 02), impedindo a passagem da urina que ficará retida na bexiga (fig. 03). O processo é lento, progressivo e facilmente perceptível pelo paciente devido às mudanças na força e calibre do jato, além da maior freqüência de vezes que acorda para urinar. No entanto, o câncer de próstata (fig. 04), inicialmente, apresenta pouco ou nenhum sintoma. O exame periódico é a oportunidade de detecção do câncer que ainda se encontra passível de tratamento curativo.

O exame deve ser realizado anualmente a partir dos 45 anos, segundo orientação da grande maioria dos autores nacionais. Orientação semelhante também é adotada pela American Urological Association nos Estados Unidos da América do Norte. Exceções a esta regra se fazem necessárias quando os ascendentes diretos, como pai e avô, foram ou são portadores de câncer de próstata, e naqueles pacientes descendentes diretos de pais da raça negra. Nessas duas situações especiais citadas, o exame periódico deve ser realizado a partir dos 40 anos e, também, anualmente.

O exame periódico da Próstata começa com a obtenção da história clínica do paciente pelo especialista, seguido do exame físico e exames complementares. São eles: PSA, ULTRA-SOM, UROFLUXOMETRIA, URODINÂMICA, ENDOSCOPIA UROLOGICA, BIÓPSIA DE PRÓSTATA, CINTILOGRAFIA OSSÉA, TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA, RESSONÂMCIA NUCLEAR MAGNÉTICA, RX DE TORAX, BACIA E COLUNA VERTEBRAL, ETC, ETC. Na grande maioria das vezes, não é necessário à solicitação de todos esses exames. A necessidade ou não será individualizada na dependência do quadro clínico de cada paciente. Basicamente, o exame periódico da próstata, consta da dosagem no sangue do antígeno específico da próstata – PSA, exame digital da próstata (toque) e da ultra-sonografia.

Alguns urologistas preferem fazer primeiro o exame de sangue e depois o exame local. Isto evita que a manipulação digital aumente a concentração no sangue da substância produzida pela glândula prostática. Outros fazem o exame do toque retal e seus pacientes são orientados a somente coletarem o sangue depois de 10 a 15 dias. Tempo esse necessário para que o PSA volte ao nível normal de antes. O exame ultra-sonografico da próstata também é opcional e poderá ser realizado pelas vias abdominal e endoretal. A via endoretal tem a preferência por permitir uma avaliação mais detalhada da zona periférica da próstata e, geralmente, é solicitado conjuntamente com a biópsia visando confirmar ou afastar câncer de próstata. Na grande maioria das vezes a avaliação ficará restrita a apenas PSA E TOQUE RETAL.

O PSA é uma substância produzida pelas células da próstata. Cada grama de próstata normal produz 0,4 ng/dl de PSA, enquanto 4,0 ng/dl são produzidos pelo tecido acometido por câncer. Deve ser colhido pela manhã, precedido de jejum de 12 horas e abstinência sexual de 03 dias. Nenhuma manipulação local deve preceder ao exame em um prazo inferior a 15 dias.

O exame digital da próstata é realizado por via retal com o paciente em posição ginecológica. Com o dedo indicador ou médio o médico usando luva e lubrificante, irá avaliar digitalmente a glândula (fig 05) quanto a sua consistência, presença de nódulos e irregularidades na sua superfície que possam sugerir alterações sugestivas de câncer. Os demais exames somente serão solicitados em casos especiais.


BIBLIOGRAFIA:

1. Mc Conenll J. Epidemiology, Etiology, Patho-physiology and diagnosis of Benign Prostatic Hyperplasia. In: Walsh PC, Retik AB, Vaughan Ed., Wein AJ, EDS. Campbell’s Urologs, sétima Ed. Philadelphia WB Saunders, 2002.

2. Abrams P, Donovan JL, de la ossette JJMCM, Schafer W. International Continence Society “Benign Prostatic Hyperplasia” study: background, aims, and methodology. Neurourol Urodynan 1997, 16: pp. 79-91.

3. Barry Mj, Fowler Jr Fl, O’ Leary MP, Bruskewitz BC, Holtgrewe HL, Mebust WK, Cockett ATK. The American Urological Association Symptom index for benign prostatic hyperplasia. J Urol 1992, 148: pp. 1549-57.

4. Gerber Gs. The Hole of Urodinamic Study in the Evaluation and Management of Men With Lower Urinary Tract Syntoms Secondary to Benign Prostatic Hiperplasia. Urology 48? 669, 1996.

5. II Encontro de Consenso Nacional – HPB – Hiperplasia Prostática Benigna. São Paulo, Sociedade Brasileira de Urologia. BC CULTURAL, pp. 61-100, 1998. Nota: Este texto tem a finalidade apenas de informar e, como quase tudo em Medicina, não é unânime no seu conteúdo, refletindo apenas a opinião pessoal do médico que o assina. Embora embasado em informações atuais mais nem por isso definitivas, não deve ser entendido como a única verdade e em caso de dúvidas sugerimos consultar pessoalmente seu Urologista.

Dr. Eduardo Lopes
Médico Urologista
CRM 8152
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia
eduardolopes@sbu-ba.org.br

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