Fortalecer comunidades, unir continentes.
Companheiro Presidente, em nome de quem saúdo a Mesa. Companheiras e Companheiros.
O que estamos fazendo aqui, em razão de pertencermos a uma organização fundada em 23 de fevereiro de 1905?
O ser humano é gregário. O ermitão, o misantropo, são autistas sociais. A civilização tornou-nos classificatórios, para reunir os
que se assemelham e agrupá-los em signos, em classes, em etnias e em outras dimensões.
Se desejamos ocupar o poder, atuamos em partidos políticos. Se celebramos mistérios, professamos as religiões. Se o valor
econômico nos move, constituímos empresas.
Ao longo dos tempos modernos, incorporamos o individualismo às nossas condutas; relegamos a solidariedade social ao Estado; consideramos nosso patrimônio fruto exclusivo da nossa atividade (e não da cooperação de atividades). Afastamo-nos dos deveres da alteridade.
Quando digo nós refiro-me à conduta que irrompeu na era industrial, entre os ingleses; avassalou a grandeza do trabalho, com o capitalismo selvagem; submeteu a humanidade aos horrores de duas guerras mundiais, ao fascismo, ao nazismo e ao estalinismo.
E, ainda ontem, submeteu-nos às insânias do neoliberalismo, que ressuscitou, dos escombros do Leheman Brothers em 2008, o leviatã insaciável de Wall Street, que julgavamos morto e sepultado em 1929.
A todas essas vicissitudes, a todas essas profundas mudanças de paradigmas sociais e econômicos, sobreviveu, cresceu e perpetuou-se uma organização concebida há 106 anos em Chicago, cidade então marcada pela violência e pela corrupção desenfreada, propiciadoras da perda da confiança e do respeito.
É que esta organização, a que pertencemos, destina-se a identificar crenças e valores imanentes à busca do bem maior da pessoa humana: a sua dignidade, atributo que nasce do reconhecimento que os outros lhe conferem.
O Rotary classifica atividades, reune pessoas sob a base imutável do companheirismo – que pressupõe o conhecimento do outro – e lhes propicia meios de superarem as suas próprias limitações, para influenciarem o meio em que vivem. Se não estão satisfeitos com o que ocorre no mundo ao seu redor. Se são capazes.
As instituições tornam-se maiores do que a soma das pessoas que as compõem. Mas as pessoas são os seus organismos; o que lhes dão vida ideal e identidade real.
O Rotary é um ideal que se materializa nas nossas ações. É nosso produto.
Estamos diante de uma organização que nos desafia a uma tarefa social vaga, indefinida, inalcançável, desanimadora?
Ainda que esqueçamos as obras que a generosidade de uns, a tenacidade e o despreendimento de outros já fizeram, em tantos lugares e a tanta gente, há modos de sentirmos, na própria pele, a grandeza que nos animará.
Se um dia, necessitados, recebermos o apoio de um rotariano, pelo fato de sermos rotarianos, aí saberemos o que significa o ideal de servir, que se realiza na prática das nossas ações cotidianas.
Tudo o que o Rotary pretende de nós é que sejamos éticos. A ética não é uma exortação moralista, escondida no simulacro de palavras ostensivas e pomposas. É a qualidade natural que nos atribuíram, quando ingressamos no Rotary; e precisamos honrá-la.
Se estivermos atônitos pela distância entre o que sabemos que somos e a dimensão das tarefas propostas pela organização a que pertencemos, há uma fórmula muito simples, para aferir a nossa aptidão: sermos reconhecidos como pessoas de bem, especialmente por aqueles que nos conhecem de perto.
Estamos aqui reunidos para enaltecer aqueles quatro companheiros que sob a liderança de Paul Haris fundaram o Rotary Internacional; e aqueles vinte e sete companheiros que, sob a liderança de Pamphilo de Carvalho, há 78 anos, em 23 de fevereiro de 1933, fundaram o Rotary Club da Bahia.
E para proclamar o reconhecimento da dignidade da pessoa humana; e que as ações para promovê-la movem montanhas.
Muito obrigado.
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